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NOTÍCIAS

26/03/2010
Raiva e hostilidade são prejudiciais ao coração de homens

A raiva e a hostilidade estão significativamente associadas com maior risco de doença nas coronárias do coração (DCC) em indivíduos saudáveis, bem como com piores consequências em pacientes com doença cardíaca, de acordo com um estudo publicado.

"Foi constatado que a raiva e a hostilidade predizem um aumento dos eventos de DCC de 19% em pessoas saudáveis e 24% naqueles com DCC pré-existente", diz Yoichi Chida, M.D., Ph.D., do Department of Epidemiology & Public Health, University College, London, UK. "A associação prejudicial entre DCC em pessoas saudáveis foi maior em homens do que em mulheres. Isto sugere que o acúmulo de respostas ao estresse no dia a dia pode ter um maior impacto futuro da DCC em homens".

Os autores revisaram extensivamente a literatura sobre associações longitudinais da raiva e hostilidade com eventos de DCC e foram identificados inicialmente 25 estudos com populações saudáveis e 18 estudos com pacientes com DCC. Embora os efeitos danosos dessas emoções tenham sido amplamente divulgados, revisões anteriores foram inconclusivas.

Segundo Johan Denollet, Ph.D., da Tilburg University, nos Países Baixos, "esta revisão fornece evidências adicionais que fatores psicológicos realmente importam no desenvolvimento e progressão da DCC, e os médicos devem levar em consideração os sintomas de raiva e hostilidade seriamente e sugerir uma intervenção comportamental aos seus pacientes. Precisamos monitorar de perto e estudar esses traços de personalidade para melhor identificar pacientes de alto risco que estão mais sujeitos a futuros eventos coronarianos fatais ou não".

Interessantemente, não mais houve uma associação significativa entre raiva e hostilidade com DCC quando os pesquisadores realizaram uma análise de subgrupo dos estudos que controlaram as covariadas (isto é, fumo, atividade física, IMC e nível sócio-econômico) e tratamento da doença, sugerindo que o principal caminho entre raiva/hostilidade e DCC deve ser fatores de risco comportamental.

Além disso, um caminho fisiológico direto deve ser considerado em estudos futuros; isto pode envolver desregulação de nervos autônomos, aumento dos fatores inflamatórios e de coagulação tais como proteína C-reativa, interlucina 6 e fibrinogênio, e níveis mais altos de cortisol. Estudos futuros também devem focar a interação entre emoções negativas e estratégias de regulação de emoção como um determinante dos principais eventos coronarianos.

Fonte: Journal of the American College of Cardiology, 17/03/2009