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NOTÍCIAS

01/02/2011
Infarto por amor

No imaginário popular, o coração sempre foi usado como metáfora para o amor. De modo análogo, separações e perdas do ente querido são representadas pelo coração partido – como se o estímulo emocional fosse capaz de gerar uma alteração física no órgão. A imagem pode parecer exagerada, mas a ciência já comprovou que esse tipo de trauma pode sim interferir no funcionamento cardíaco. Algumas pessoas, quando submetidas a situações de grande estresse emocional, como o fim de um romance, sofrem um estreitamento abrupto da principal via de entrada de sangue para o órgão: a artéria coronária. Quando essa suspensão dura mais de 20 minutos, a irrigação do coração fica comprometida. O músculo não recebe sangue, para de se mover e a pessoa sofre um ataque cardíaco (sem apresentar nenhum dos fatores de risco usuais, como obesidade, fumo e hipertensão arterial).

Esse infarto diferente – não provocado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias cardíacas, como habitualmente – foi relatado pela primeira vez em 1991. Nessas duas décadas, segue intrigando pesquisadores de todo o mundo. Em especial porque ainda não se tem claro como antever sua ocorrência. Por observação dos pacientes afetados, já se notou a maior prevalência entre as mulheres, após a menopausa e em períodos de intenso estresse emocional.

Porém, uma nova descoberta feita por uma equipe da Clínica Maio, respeitada instituição americana, promete tornar possível o diagnóstico antes que aconteça a falência do coração. No estudo observaram-se 28 mulheres, 12 delas portadoras da disfunção. “Nessas pacientes, em vez de os vasos sanguíneos do coração se dilatarem em resposta ao estresse, eles se estreitavam”, disse à ISTOÉ Amir Lerman, coordenador da pesquisa. “Essa alteração pode ser detectada preventivamente, antes de a pessoa sofrer um ataque cardíaco.” Transformar essa descoberta em um meio de diagnóstico, esclarece o médico, é apenas uma questão de tempo.

Hoje ainda não há maneiras de saber se uma pessoa tem ou não a síndrome – só se fica sabendo disso depois que ela tem o infarto. Mas é possível tomar pelo menos um cuidado: ficar atento aos sintomas. “Se o indivíduo está passando por um período de estresse, tristeza ou depressão e sente dores no peito, que podem se espalhar para outros membros, fraqueza e suores frios, deve ser encaminhado ao hospital”, diz o cardiologista Marcelo Ferraz Sampaio, do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Autor: Rachel Costa