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24/10/2018
Fibrilação atrial pode aumentar o risco de demência

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Crédito da imagem: Getty Images

De acordo com um estudo publicado no periódico científico Neurology, pessoas com um tipo específico de batimento cardíaco irregular, chamado fibrilação atrial, podem apresentar um declínio mais rápido das habilidades de pensamento e memória e ter um risco maior de demência do que pessoas sem fibrilação atrial.

A fibrilação atrial é uma arritmia que faz com que o ritmo dos batimentos estejam fora de sincronia, geralmente acelerados. A condição provoca má-circulação sanguínea e, com isso, o sangue pode acumular no coração e formar coágulos que, se forem para o cérebro, podem provocar um acidente vascular cerebral. 

De acordo com os pesquisadores do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, na Suécia, embora o estudo tenha constatado a associação entre a fibrilação atrial e o desenvolvimento de demência, a boa notícia é que o uso de remédios anticoagulantes mostrou-se efetivo na redução do risco de demência.

Para o estudo, foram analisados dados de 2.685 participantes com idade média de 73 anos, acompanhados ao longo de seis anos como parte de um estudo maior. Todos os voluntários foram examinados e entrevistados no início do estudo. 

Os participantes com idade inferior a 78 anos passaram por novos exames e entrevistas na fase final do estudo, seis anos após o início da pesquisa. Já o grupo com 78 anos de idade ou mais foi submetido a um novo teste no intervalo de três anos. Todos os participantes estavam livres de demência no início do estudo, mas 243 pessoas, o equivalente a 9%, tinham fibrilação atrial. 

Os exames médicos e entrevistas incluíam avaliação do pensamento global, habilidades de memória e demência. Ao longo do estudo, outras 279 pessoas (11%) desenvolveram fibrilação atrial e 399 (15%) desenvolveram demência. 

Os pesquisadores descobriram que pacientes com fibrilação atrial apresentaram uma taxa mais rápida de declínio em habilidades de pensamento e memória do que aqueles sem a condição. Eles também foram 40% mais propensos a desenvolver demência.

Das 2.163 pessoas que não tinham batimentos cardíacos irregulares, 278 pessoas desenvolveram demência (10%). Das 522 pessoas com batimentos cardíacos irregulares, 121 desenvolveram demência (23%). 

Os especialistas também descobriram que as pessoas que tomaram medicação anticoagulante para a fibrilação atrial reduziram em 60% o risco de demência. Das 342 pessoas que não tomaram anticoagulantes, 76 desenvolveram demência (22%). Das 128 pessoas que tomaram anticoagulantes, 14 desenvolveram demência (11%). Não houve redução do risco entre aqueles que tomaram medicamento antiplaquetário como a aspirina. 

Os pesquisadores estimam que cerca de 54% dos casos de demência teriam sido evitados se todas as pessoas com fibrilação atrial tomassem anticoagulantes, o que alerta para a importância de diagnóstico e tratamento da condição. 

Entre as limitações do estudo, eles esclarecem que não foi possível diferenciar os subtipos de fibrilação atrial. Da mesma forma, é possível que alguns casos de fibrilação atrial tenham sido perdidos entre pessoas que não apresentaram sintomas.